Moradora de Taubaté que chegou a ser presa luta para retomar a vida |
Daniele do Prado foi acusada injustamente de ter matado a própria filha |
Daniele passa a maior parte do tempo numa sala. Aos 26 anos, ela luta para superar o trauma e ainda não conseguiu voltar ao convívio social. "Eu fico mais dentro de casa, eu não saio sozinha ainda. É uma vida bem privada mesmo, né? Assim, eu tô em liberdade, mas é... eu me sinto presa ainda, né?", conta Daniele. Em outubro de 2006, a filha de Daniele Toledo do Prado, de apenas um ano e três meses, morreu após ser atendida no pronto-socorro de Taubaté. Na época, exames preliminares, feitos com material coletado na boca e na mamadeira da criança, apontaram que ela havia ingerido cocaína. Daniele acabou presa, e o caso ganhou repercussão nacional. "O pré-julgamento é muito ruim...eu sei o quanto isso é dolorido. Naquela época, eu fui muito julgada...eu já fui condenada na verdade, né? As pessoas falavam 'monstro, assassina', e isso ainda ficou na minha cabeça", relata. Erro Cerca de um mês depois, o exame definitivo apontou que o pó branco coletado não era cocaína. Tratava-se apenas de resíduo de um medicamento, um anestésico que havia sido dado à pequena Vitória. Depois do resultado, Daniele foi libertada. "Sofri muito. Até o direito de velar e enterrar a minha filha eu não tive", lamentou Daniele logo que deixou a cadeia. "Eu tomo antidepressivo, tomo remédio pra convulsão, perdi a visão e a audição do lado direito. Todo meu lado direito foi afetado, então, isso me prejudica hoje também, de procurar um emprego, fazer uma outra coisa", conta. Ação Devido a toda essa história, há três anos a Defensoria Pública move uma ação contra o estado. O pedido inicial era de uma indenização no valor de R$ 150 mil para gastos com tratamentos, além de pensão vitalícia de três salários mínimos e mais 500 salários mínimos por danos morais - o que daria mais cerca de R$ 300 mil. "É uma luta até, principalmente pela honra da Daniele. E de fazer com que o estado reconheça que ele é falho, que ele comete erros e esses erros causam graves lesões, e alteram inclusive o destino da vida das pessoas", diz o defensor público Wagner Giron. A primeira decisão da Justiça já saiu. Mas não agradou ninguém. Pela sentença, o estado foi condenado a pagar R$ 25 mil por danos morais e materias. E a pensão alimentícia foi reduzida a 60% de um salário mínimo, o que daria menos de R$ 400 por mês. A Defensoria Pública já entrou com um recurso, pedindo a revisão desses valores. "Ficaram bastante distantes e desproporcionais à gravidade das lesões físicas, psíquicas e principalmente morais pra essa moça, que teve a vida toda destruída por um erro absurdo", diz o defensor. Daniele desabafa: "Todo o dinheiro do mundo que a Justiça fosse me oferecer não ia pagar a dor que eu senti da perda da minha filha, de tudo que me aconteceu. Mas eu acho que pelo menos pra eu ter uma dignidade hoje, né? Erguer minha cabeça e seguir pra frente". Apesar dos valores da indenização serem baixos, a Procuradoria Geral do estado também recorreu da decisão. Agora, as partes aguardam por uma nova decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo. |
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